domingo, 11 de novembro de 2012

FALSO MORALISMO NO TRABALHO


Quem não conhece pessoas que sabem o que é certo, propagam o correto, mas na hora de fazer o certo, não o fazem? São aquelas pessoas que fazem o oposto do que falam, que cometem erros, mas são bastante severos com os mesmos equívocos cometidos por outras pessoas.

Na sociedade em geral, na escola e principalmente no ambiente de trabalho, existem pessoas com conceitos inquestionáveis, que criticam a ideia alheia, que acreditam estar sempre certos. Essas pessoas com postura inflexível, que consideram seu código de ética sagrado, que em seu discurso de forma explícita ou velada sempre querem prejudicar os demais são chamados de falsos moralistas. São pessoas que costumam valorizar o que é seu (posses, pensamentos, atitudes) e desvalorizar o que é dos outros.

 O falso moralista é também aquele que deprecia e censura as atitudes do colega de trabalho, mas quando precisa, faz aliança com ele para conseguir seus objetivos, agindo de forma hipócrita. Hipocrisia, segundo o dicionário é o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. A palavra deriva do grego (hypókrisis+ia) e do latim (hypocrisis), significando em ambos os casos a representação de um ator, atuação, a simulação de ser outro, fingimento (no sentido artístico). Essa palavra passou, mais tarde, a designar moralmente pessoas que representam, que fingem comportamentos.

 Nesse sentido pergunto: quem não conhece um falso moralista no ambiente de trabalho? É aquele chefe ou colega que prega a moral e os bons costumes, porém no seu dia-a-dia não pratica a moral que defende ou julga correta. É aquela pessoa defensora de comportamentos rígidos e exemplares, que aparenta ter uma conduta modelo, mas que na realidade não o é; condena os outros por algo que também faz.

Posso citar aqui vários exemplos de falsa moral. É o caso de um empresário que havia adotado como política não contratar parentes de funcionários por acreditar que no caso de um problema familiar, haveria duas e não somente uma pessoa envolvida na questão, além disso, poderia haver protecionismo por parte de algumas pessoas, o que poderia prejudicar a dinâmica organizacional. No entanto contratou o noivo da filha para trabalhar na área de Marketing.  O que valia para os outros não era aplicável a ele mesmo.

Um caso de repercussão nacional de falsa moral foi o da então estudante Geisy Arruda, que estava trajada inadequadamente para o ambiente universitário, usando um pequeno vestido que mostrava seus dotes femininos. A maioria dos brasileiros se lembra da cena que passou repetidamente na TV com pessoas gritando histericamente, proferindo palavras de baixo calão, ofendendo a moça. E agora pergunto: quantas daquelas pessoas que condenaram a estudante, não presenciavam suas irmãs, namoradas, primas ou outras pessoas da família naqueles trajes? Quantas outras pessoas frequentavam a faculdade com roupas parecidas? E quantas outras mulheres que defendem o liberalismo feminino também gritavam enlouquecidas naquela ocasião?

 O discurso do falso moralista é permeado de acidez e de hipocrisia, por isso a sua máscara não demora a cair; ninguém consegue se mostrar perfeito o tempo todo. Não é possível manter uma máscara por toda a vida.

 Mas também não podemos ser hipócritas e ter uma única verdade como absoluta. Nesse mundo ninguém é totalmente bom ou inteiramente mau. Em muitos casos as pessoas costumam vestir máscaras para sobreviver à constante pressão social. Quantas vezes, ao temer a reprovação da sociedade você foi contra sua vontade e crença para agir de acordo com os padrões preestabelecidos?

 Nesse caso é importante refletir que todas as situações que envolvem a falsa moral são prejudiciais; ou porque prejudica o outro ou porque prejudica a si mesmo.  

 Profa. Dra. Yeda Oswaldo, psicóloga, doutora em psicologia & coach. Ministra o curso MASTER EM LIDERANÇA E GESTÃO - MLG - LÍDER COACH. Saiba mais em: www.infinityative.com.br